Análise de temperatura é esperança do COB contra lesões.


Além da ginástica, termografia já é utilizada também no atletismo.

Um método que tem ajudado a prevenir lesões e possivelmente melhorar o desempenho da seleção de ginástica artística pode em breve migrar para outros esportes, e invadir o País. Em questão de segundos, a termografia fornece a técnicos, biomecânicos, fisioterapeutas e médicos um avaliação complementar do corpo do atleta para que junto com outros métodos, lesões possam ser identificadas antes mesmo de elas acontecer. O método também faz com que especialistas entendam melhor o desgaste físico dos competidores. Esse trabalho, já utilizado em outras áreas da medicina, está entrando no meio esportivo agora e o Brasil tem desempenhado papel pioneiro na área.

A termografia analisa a temperatura corporal. É bem parecida com aquele mapa de calor que se vê no futebol, explicando os setores do campo em que determinado jogador ou time ocupa mais durante dos 90 minutos. A variação termográfica em um determinado local do corpo pode mostrar que a musculatura está simplesmente sendo mais forçada ou que passa por um processo inflamatório. Já utilizada em diagnósticos como reumatologia e prevenção ao câncer de mama, começa a chamar a atenção das confederações brasileiras inicialmente como forma de prevenir lesões.

Quem está implementando esse modelo na seleção brasileira de ginástica artística é a Doutora Ana Carolina Corte, médica da equipe e que pesquisa há um ano e meio o método em seu pós-doutorado na Faculdade de Medicina na USP. Em 2015, ela esteve junto com os atletas no Mundial de Glasgow, onde diariamente utilizava uma pequena câmera térmica para analisar os ginastas antes e depois das sequências nos aparelhos.

Foto: Divulgação

Termografia

Termografia começa a ser utilizada na medicina esportiva

“Realmente, a gente conseguiu identificar logo no princípio do trabalho algumas lesões, tratar e deixar o atleta pronto para a disputa do Mundial. Tivemos alguns casos de dores específicas. Algumas queixas que deixamos se transformar em lesões. Não é um método diagnóstico, não te mostra a prática anatômica perfeita, mas aponta muita funcionalidade local”, explica a médica. Segundo ela, variações de até 1ºC são normais, acima disto pode ser que exista uma lesão. A partir daí, é possível passar para fisioterapeutas utilizarem de massagens, crioterapias (utilização de baixas temperaturas no corpo, a popular banheira de gelo que alguns atletas se banham após atividades físicas) ou alongamentos. Tudo para recuperar o atleta depois dessa visão ‘além do alcance’.

O método serviu também para identificar algumas peculiaridades de cada atleta. “Eu filmei séries do Arthur Zanetti nas argolas e pudemos entender melhor qual grupo muscular do seu corpo estava sendo recrutado naquele momento, em determinado elemento. E o treinador do Arthur (Marcos Goto) é muito inteligente, então ele recebeu isso com muito bons olhos. Pudemos trabalhar bem especificamente seus movimentos.”

A doutora Ana Carolina não desenvolve sua pesquisa apenas com a ginástica artística. Médica do Corinthians, ela atua também com o futebol profissional do clube e com a natação. Mesmo dentro da água, onde a temperatura acaba variando mais, a termografia serve a seu propósito. “O importante não é o calor no momento, mas a comparação do momento sadio e um lado possivelmente machucado. Então não importa se ele está completamente macio pela temperatura da água, mas se tiver uma assimetria entre membros, ombros ou articulações, isso chama a atenção. Se funciona com a natação, deve funcionar com todos os esportes”. No futebol, outro clube que já trabalha com a análise de temperatura é o Botafogo do Rio de Janeiro.

Com os bons resultados apresentados, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) já planeja expandir o método para outros esportes. No atletismo, os atletas já começaram a ser avaliados com a termografia pela médica. “É um método novo que temos colocado no alto rendimento. Não é a curto prazo não. É uma avaliação completar para os atletas e não deve parar”, diz a médica.

 

Fonte: http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,analise-de-temperatura-e-esperanca-do-cob-contra-lesoes,1808890

 

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