Avaliação Neuropsicologica


img1  Por:  Rafael Tudéia Guimarães
  Psicologia – CRP 04/27994
 Formou-se em Psicologia, especialista em Avaliação e Diagnóstico  com  enfase em Neuropsicologia pela PUC-MG. Atua em Neuropsicologia desde  2009 no Instituto de Neurologia de Teófilo Otoni, Professor na Fundação  Presidente Antônio Carlos- UNIPAC_FUPAC em Teófilo Otoni. Perito  nomeado pelas Varas Cívis da Comarca de Teófilo Otoni e consultor em  Atendimento Educacional Especializado.

 

 

A Neuropsicologia é uma ciência que estuda as interfaces entre cérebro e o comportamento humano. Foi reconhecida em 2004 pelo Conselho Federal de Psicologia em sua resolução 002/2004. Advinda da junção da Neurologia e da Psicologia, tem por um dos objetivos verificar possíveis disfunções das capacidades cognitivas do cérebro e sua relação com alterações comportamentais, chamado assim de correlação anátomoclínica.

A avaliação neuropsicológica é uma estratégia investigativa destinada a identificar, obter e proporcionar dados e informações sobre o funcionamento mental dos sujeitos. Malloy-Diniz (2010) considera como demanda da avaliação neuropsicológica:

1. A quantificação e qualificação detalhadas de alterações das funções cognitivas, buscando o diagnóstico ou detecção precoce de sintomas, tanto em clínica quanto pesquisa;

2. A avaliação e reabilitação para acompanhamentos dos tratamentos cirúrgicos, medicamentos e de reabilitação;

3. A avaliação direcionada para tratamento, visando principalmente à programação de reabilitação neuropsicológica;

4. A avaliação voltada para aspectos legais, gerando informações e documentos sobre as condições ocupacionais ou incapacidades mentais de pessoas que sofreram algum insulto cerebral ou doença, afetando o sistema nervoso central. (Malloy-Diniz, 2010,p. 51).

O neuropsicólogo clínico utilizará da avaliação neuropsicológica para investigar processos cognitivos como: atenção, memória, linguagem, percepção, raciocínio, aprendizagem, inteligência, praxias, etc, bem como comportamento e humor, por meio de instrumentos de alta sensibilidade e especificidade baseado em normas e validação da população brasileira, sejam estes por métodos qualitativos e quantitativos.

As principais razões para a solicitação de uma avaliação neuropsicológica são:

img2Auxílio diagnóstico: saber qual seria o problema do paciente e como ele se apresenta. Para tanto, um diagnóstico diferencial entre quadros que possuem manifestações semelhantes ou passíveis de serem confundidas. Por exemplo, é muito comum em idosos perdas de memória para fatos recentes com dificuldades na realização de algumas atividades diárias básicas e/ou instrumentais, mas que em geral, as memórias antigas estão preservadas. Tal descrição sintomatológica pode ocorrer em quadros onde aja o comprometimento cognitivo leve (amnésico ou não), ou em Demências ( o tipo e estágio da doença) ou relacionado a idade.

Manifestações psiquiátricas/neurológicas como Transtorno do desenvolvimento cognitivo – Transtorno do déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), pode apresentar manifestações comportamentais em graus diferenciados e associados a outras neuropatologias como Transtorno de Oposição e de Conduta, carecem de investigação detalhada.

img4Prognóstico: uma vez realizado o diagnóstico, procura-se saber o curso da evolução e o impacto que a desordem terá à longo prazo. Esta predição está relacionada coma patologia ou a condição de base da doença { a extensão da lesão (se for o caso) e qual hemisfério cerebral ocorrido}. Por exemplo: pacientes com algum tipo de Epilepsia, com a avaliação neuropsicológica é possível identificar em qual área do cérebro está ocorrendo; o tipo de epilepsia; se está acontecendo em uma ou mais áreas; as perdas cognitivas; se é passível de neurocirurgia e como será, ao longo do tempo, o desempenho das funções mentais do cérebro. Os quadros de Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) e Acidente Vascular Cerebral (AVC), também são realizados os prognósticos.

Orientações para tratamento: a avaliação neuropsicológica poderá estabelecer as hierarquias e a dinâmica das desordens em estudo. Sendo assim, far-se-á delineamento da escolha ou mudanças nos tratamentos medicamentosos ou outros. A exemplo: alguns medicamentos que auxiliam no controle de comportamentos desadaptativos e ajustamentos neuroquímicos no cérebro, podem em sua dosagem ou até mesmo na posologia, provocar alterações que irão interferir, de forma positiva ou negativa, nas capacidades intelectuais e na capacidade de aprendizado.

img7Auxílio para planejamento da reabilitação: a avaliação neuropsicológica estabelece quais são as forças e fraquezas cognitivas, provendo assim uma espécie de mapa para orientar quais funções devem ser reforçadas ou substituídas por outras. Um exemplo disso, quando de avalia funções executivas ( capacidade de planejamento, organização, sequenciamento, monitoramento, flexibilidade, autoregulação, memória de trabalho), esta última, quando avaliada em crianças, terá como prever comoserá seu desempenho acadêmico atual e longitudinal e assim planejar por meios de métodos de intervenção pedagógicas/cognitivo/comportamentais que estimularão  as deficiências cognitivo/comportamentais evitando o fracasso escolar.

Perícia: auxiliar a tomada de decisão que os profissionais da área do direito precisam fazer em uma determinada questão legal. Por exemplo: por meios de vários instrumentos que compõem uma bateria de avaliação neuropsicológica, é possível sabermos se o examinado apresenta alguma limitação cognitiva que o possa  impedir de gerir seus bens, bem como responder por seus atos civis.

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução 02/2004.

  1. MALLOY-DINIZ. L.F (et. al). A avaliação neuropsicológica – Porto Alegre: Artmed. 2010.432p.

Obs: imagens cedidas pela internet.