Plano de cinco passos ajuda pacientes a lidar com a dor, apresentado na PAIN Week 2013.


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O componente crítico no tratamento da dor crônica é ensinar aos pacientes estratégias para lidar melhor com a dor. Uma abordagem com foco em cinco habilidades essenciais de enfrentamento da dor oferece resultados benéficos e de baixo custo, segundo apresentação realizada na PAIN Week 2013.

O ensino de habilidades de enfrentamento da dor está de acordo com uma teoria criada pelo cardiologista Herbert Benson, do Massachusetts General Hospital, disse Ted Jones, psicólogo do Instituto de Medicina Comportamental(Behavioral Medicine Institute), em Knoxville, Tennessee, durante um fórum de educadores sobre dor na PAIN Week 2013. Esta teoria vê a medicina como um “banquinho de três pernas”.

“A ideia do banquinho de três pernas é que uma perna do banquinho são as intervenções feitas com produtos farmacêuticos; a outra perna são as cirurgias e os procedimentos e a terceira etapa é a interação mente/corpo, que é em grande parte controlada pelos pacientes. Sem a terceira perna, o banco não pode ficar de pé – ele cai”, disse o Dr. Jones. Uma vez que cerca de 60 a 90% das consultas médicas são para condições relacionadas ao estresse, a conexão entre mente/corpo é um componente vital dos cuidados eficazes com a saúde.

Como a terapia comportamental para a dor pode envolver um compromisso com várias sessões, o que pode ser caro e demorado, o Dr. Jones recomenda começar simplesmente perguntando aos pacientes se eles querem se comprometer com uma sessão de grupo de duas horas, na qual muito pode ser realizado.

O ideal é que um psicólogo acompanhe o tratamento do paciente em uma clínica de dor. Os cinco passos podem ser ensinados pelo especialista em dor ou pelo psicólogo aos pacientes, de maneira simples, em sessões de grupo com duração de duas horas. O Dr. Jones recomenda nivelamento das sessões em não mais do que cerca de nove pacientes em cada uma delas.

Cada um dos cinco passos de enfrentamento envolve várias ferramentas e tarefas relativamente simples que podem permitir que os pacientes alcancem uma perspectiva mais ampla e melhor de como lidar com a sua dor.

Os cinco passos são:

1. Entendimento: “A fim de obter uma melhor perspectiva, os pacientes precisam de informações sobre a sua dor e as suas opções de tratamentos”, disse o Dr. Jones. “Eles precisam de informação, pois se perguntam se os opioides são seguros, se eles vão se viciar nas medicações e se há alternativas. Eles querem saber quais são os prós e os contras.”

Isto envolve descrever aos pacientes como funciona a dor e as distinções entre os diferentes tipos de dor.

O Dr. Jones ensina os pacientes sobre a teoria do controle da dor ou “gate control theory of pain”, proposto por Ron Melzack e Patrick Wall em 1965.

“Eu explico aos pacientes como os sinais de dor chegam ao cérebro e sobre pensar no controle do “portão da dor” como um controle de volume que amplifica ou reduz a dor, e que há pelo menos seis portões de dor – depressão, ansiedade, raiva, falta de sono, foco na dor e mudanças na dor.”

2. Aceitação: o Dr. Jones pede aos doentes que tentem não considerar a dor como necessariamente equiparada ao sofrimento, o que pode ajudar a evitar uma das exacerbações mais poderosas da dor, a tendência a ressaltar a iminência de riscos e perigos catastróficos – ou seja, a tendência a ser um catastrofista.

“Eu sugiro que os pacientes considerem que realmente existe a dor física, mas não existe a necessidade de que este sofrimento permeie todos os aspectos da sua vida”, disse ele.

Os pacientes podem rejeitar a ideia de aceitação, sentindo que ela sugere que eles estão “desistindo” ou “desanimando”, mas em última análise, permitir a aceitação leva a um progresso em uma direção longe daraiva, que pode vir com a resistência a aceitar a sua própria condição, disse ele.

Os pacientes devem também ser encorajados a mudar a pergunta que às vezes se fazem de “Por que eu?” para “E agora?” sugere o Dr. Jones.

3. Tranquilidade: acalmar o estresse pode ter um efeito significativo sobre o alívio da dor e as opções para encontrar alívio do estresse são variadas, indo da prática de tai chi chuan e/ou relaxamento muscular progressivo até a meditação, biofeedback ou simplesmente respirar, principalmente usando a respiração diafragmática.

“Respirar é a única parte da resposta ao estresse que você pode controlar”, disse o Dr. Jones. Ele observou que, embora a maioria dos adultos respire enchendo o peito de ar, mais ar pode ser levado aos pulmões se o músculo diafragma for mais usado durante a respiração.

4. Equilíbrio: existem pacientes que não param até que o trabalho deles seja feito e acabam tendo dores frequentes e intensas, necessitando de uma quantidade maior de medicamentos.

Equilibrar as atividades diárias, tentando conseguir dormir o suficiente e gerenciando o tempo de trabalho pode evitar tais situações de exacerbação da dor, diz o Dr. Jones.

Relembre seus pacientes que as vitórias devem ser lentas e constantes, como no conto da tartaruga e da lebre. Diga a eles para se tornarem tartarugas, que ao final alcançam vitórias. Eles irão fazer mais e não terão tanta dor. Recomende a eles pararem suas atividades mais cedo do que o de costume, que tenham um tempo ocioso, que tenham a dor como um guia de suas atividades.

5. Lidando com a dor: equipar pacientes com ferramentas para lidar com sua dor, sem ter que chegar a usar o analgésico, inclui massagens para dores musculares, aplicação de gelo para dor nas articulações e dispositivos para distração. Todos os pacientes com dor precisam de um dispositivo que os distraia.

Os videogames são distrações particularmente eficazes, que envolvem os pacientes e com isso eles são capazes de suportar mais suas dores com menos medicamentos. A TV não funciona muito bem para esta finalidade.

Quando os pacientes sentem necessidade de recorrer aos medicamentos, sugerimos que primeiro eles usem a técnica da respiração diafragmática. Muitas vezes, com esta pausa eles conseguem ficar sem a medicação.

Finalmente, oferecer aos pacientes orientações escritas sobre as recomendações de cada sessão para referência em casa é uma maneira eficaz de ajudar a lembrá-los sobre algumas das técnicas fornecidas durante as sessões.

Estes cinco passos têm o objetivo de fazer com que os pacientes cheguem em casa se sentindo mais independentes ao mudar o seu relacionamento com a sua dor. Eles adquirem habilidades que podem desenvolver sozinhos e isso é muito importante, pois se sentirão mais fortes, menos dependentes de médicos e de remédios.

Envolver o paciente em assumir um papel pró-ativo em lidar com a sua dor é algo que é muitas vezes negligenciado. A maioria dos médicos ainda pensa no modelo biomédico de dor, ao invés do modelo biopsicossocial. Ou seja, pensam na dor ao invés de pensar na pessoa com a dor. O sucesso do tratamento muitas vezes se resume à forma como a pessoa lida com ele. Não é tanto o tipo de dor que uma pessoa tem, e sim o tipo de pessoa que a dor tem.

Fonte: PAIN Week 2013 Conference

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