Promovendo o envelhecimento saudável.


Depressão entre idosos:

Com o crescimento da população idosa, tem sido maior a prevalência de doenças crônico-degenerativas que comprometem o funcionamento do sistema nervoso central, como as demências e, particularmente, a depressão.

A depressão implica em sofrimento psíquico elevado e tem potencial incapacitante. Atinge aproximadamente 15%  da população geral (Kaplan et al., 1997) e acomete duas vezes mais mulheres que homens. Entre os idosos mantidos em seu meio social, os índices ficam entre 2 e 14% (Edwards, 2003), em contraste com a incidência da depressão entre idosos residentes em instituições, que chega a 30% (Pamerlee et al., 1989).

Os principais sintomas da depressão envolvem aspectos cognitivos e corporais, observados por pelo menos duas semanas consecutivas, como humor deprimido, indisposição, perda do prazer e do interesse pelas pessoas e atividades, alterações no apetite, no sono e na velocidade e na qualidade de funcionamento físico ou mental global, além de alguns sinais físicos, como olhar vago, cabeça baixa, marcha e fala lentificadas. Predominam os sentimentos de culpa, desvalia, autopunitivos, os pensamentos negativos e há redução da expectativa em relação ao futuro e dificuldade para se concentrar e tomar decisões. Esse conjunto de características pode gerar apatia e isolamento e causar prejuízos ao funcionamento social, afetivo, profissional, sendo necessário esforço maior que o comum para manter o desempenho habitual.

Em pacientes idosos, as queixas físicas da depressão podem ser predominantes, como hipocondria, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade, humor disfórico, ideação paranóide, desejo de morte e pensamento recorrente de suicídio. Ressalta-se que nos pacientes idosos deprimidos o risco de suicídio é duas vezes maior do que nos não deprimidos (Pearson & Brown, 2000).

A depressão no idoso, freqüentemente, surge em um contexto de perda da qualidade de vida,  de isolamento social e de surgimento de enfermidades crônicas e incapacitantes. Além disso, sentimentos de frustração e culpa pelos anseios de vida não realizados e o histórico de perdas progressivas – viuvez, saída dos filhos de casa, perde de outros vínculos afetivos e da capacidade de trabalho – bem como o abandono, ausência de retorno social do investimento escolar, redução do padrão de vida com aposentadoria, são alguns fatores que predispõem o idoso ao desenvolvimento de depressão (Pacheco, 2002).

Os tratamentos para a depressão são múltiplos. Os mais tradicionais envolvem o uso de medicações, como antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos, associados a tratamentos coadjuvantes como a psicoterapia, uma vez que os remédios, embora necessários, podem trazer efeitos colaterais indesejáveis e são insuficientes para extinguir os sintomas da depressão em cerca de 20% dos casos.

A psicoterapia cognitiva tem como foco realizar mudanças no padrão de pensamento do paciente deprimido, que cultiva uma visão distorcida e negativa de si, do mundo a sua volta e do futuro, o que a mantém geralmente apática, desmotivada e sensível somente aos fatos negativos da vida. Alguns fatores influenciam no sucesso psicoterápico, a exemplo da motivação própria para aderir ao tratamento, o grau de depressão leve ou moderada, um ambiente social estável e suporte social. Propostas de mudanças comportamentais e da rotina do paciente devem ser acordadas com ele e com a família, objetivando sempre a melhor qualidade de vida e redução do sofrimento. A família deve estar atenta também a sua necessidade de suporte, pois a depressão no idoso gera impactos, a curto ou médio prazo, sobre aqueles que assumem o papel de cuidadores ou que convivem mais intimamente com o processo de adoecimento.

A hospitalização do paciente deprimido deve ser cogitada somente quando houver claro risco de dano à própria integridade física ou a de outrem   ou quando faltar ao paciente suporte psicossocial adequado, houver abuso de substância grave ou falta de cooperação do paciente, colocando em risco sua própria vida.

Apesar da probabilidade de desenvolver certas doenças aumentar com a idade, é importante esclarecer que não se pode imaginar que envelhecer seja sinônimo de adoecer, especialmente quando as pessoas desenvolvem hábitos de vida saudáveis, procuram o acompanhamento preventivo e tratamento precoce aos primeiros sintomas de mudança no humor e no comportamento.  (Neri, 2002; Costa, 2002).

 

Andréa Matos Oliveira

Psicóloga graduada pela UFBA e pós graduada em neuropsicologia pelo Instituto de Doenças Neurológicas de São Paulo – INESP.

Está na Geriavida desde 2010 realizando avaliação neuropsicológica e atendimento psicoterápico para adultos e idosos.

Fonte: http://geriavida.com.br/artigos/?page_id=49

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